terça-feira, Maio 31, 2011

Évora 27 de Maio - Concurso de Ganaderias




Depois de quase uma dúzia de treinos, e de muito tempo de espera, começámos finalmente a nossa temporada. Mais tarde do que o normal, mas também aqui, na nossa pequena tauromaquia, a malfadada e famosa crise também se faz sentir. Menos espectáculos, menos público.

Quis o destino que começássemos em Évora, no Concurso de Ganadarias, apenas a Corrida mais importante do ano! Para mim. Pena que tivesse pouco afluência de público mas como disse em cima “o forno não está para bolos.”

Corrida muito séria e exigente, como sempre e como deve ser. Touros de Palha, vencedor do Prémio de Apresentação, Fernandes de Castro, Murteira Grave, Passanha, Pégora e Vigouroux, que arrebatou o prémio de Bravura, no ano em que se apresentava em Évora, será sorte de principiante? O tempo o dirá.

Tourearam João Moura, muito bem em ambos, Vitor Ribeiro e Marcos Tenório, a bom nível. Compartimos praça com o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete que ratificou o seu bom momento nesta noite, com duas pegas à primeira e uma à segunda tentativa, destacando a sua coesão nas ajudas.

Por antiguidade tocaram-nos os touros de Palha, 610kg de nobreza, repetição mas pouca transmissão, Murteira Grave, cumpridor, sem codícia ou más ideias e Pégoras, manso, brusco e sempre à defesa.

Para diferentes tipos de touros (encastes e origens) diferentes estratégias, o Palha costuma ser um touro pronto na investida, com pata, consentindo a reunião e exigindo na fase final da pega, pedindo ajudas, nas tábuas começa a protestar. Assim foi com este também, apenas não tendo vindo com a pata habitual. Peguei-o eu após brinde ao nosso Grupo desejando-nos uma grande temporada. O touro protestou nas tábuas e o grupo não foi suficientemente lesto para se dividir e compensar de ambos os lados, deixando um a descoberto. Resultou à primeira tentativa.

O Grave, sempre exigente nas reuniões, mais uma vez o foi, não admite erros e não perdoa quando acontecem. O António Alfacinha, habituado a touros com reuniões mais duras, violentas e com velocidade, não se acoplou na primeira tentativa, parou-se, adiantou-se e deu um saltinho na reunião, não reuniu bem, o touro trazia pouca velocidade e o António saiu quando chegou ao primeiro ajuda. Ficou na segunda, embora tendo feito a mesma coisa, já apareceu mais de curto ao touro, trouxe-o com mais velocidade e foi superiormente ajudado pelo Diogo Cabral nas primeiras.

Uma palavra para o Diogo na primeira tentativa, com os anos que já tem de touros não pode ter aquela parcimónia no chão após colhida, tem de ser ou mais rápido a levantar-se e sair do alcance ou esperar que o perigo passe, levantar-se na cara do touro pode ter consequências graves, mais do que “esquecimento”.

Fechámos a noite com a que poderia ter sido a pega da corrida, touro de Pégoras, com boas reuniões, como é o seu comportamento tipo mas depois de se sentirem agarrados tornam-se num problema só resolvido com muita garra e moral, este não fugiu à regra, uma primeira tentativa estóica, cheia de vontade e moral do Manuel Rovisco, primeiro ajuda desfeiteado após a reunião, onde esteve com o Manuel para evitar a brusquidão e depois por apatia, desconfiança ou falta de fé e moral dos ajudas, o forcado sai já perto das tábuas. As lesões acontecem por isto. Como sempre dizemos não importa o resultado artístico mais do que o resultado físico numa pega, mas se todos acreditarmos podemos ter ambos os resultados! Temos de ter fé até ao fim, mesmo que o forcado da cara venha apenas agarrado a um pelo do focinho, a uma orelha! Na segunda não houve qualquer tipo de possibilidades, o Manel traz o touro totalmente toureado mas na reunião este colheu simplesmente para tirar o forcado. Pega consumada à terceira, muito de curto e com ajudas carregadas, bem o Miguel Saturnino nas primeiras, mais uma vez os demais ajudas muito “ás apalpadelas” e caídos.

Mais, faltou mobilidade e rapidez aos ajudas, não há nada que nos impeça de cair a ajudar mas também não há nada a impedir-nos de ser rápidos a levantar e recuperar nas ajudas. Preparemo-nos melhor fisicamente, se nos sentirmos bem fisicamente, sentir-nos-emos capazes anímica e psicologicamente. O lema grego “mente sã em corpo são” não se propagou todos estes anos por acaso!

Que tenha sido falta de rodagem e o facto de ser a primeira corrida pois na próxima já não pode acontecer.

E é esta a história da nossa primeira corrida de mais um ano de vida do Grupo, quarenta e sete, que este seja positivo e que o resultado venha sempre a subir de qualidade.