quinta-feira, agosto 16, 2007

Castro Marim - 14 de Agosto

Para esta crónica foi escolhido um grande forcado que passou pelo nosso Grupo e que marcou quem com ele se fardou. Natural do Algarve, Fernando Luís Vasconcelos, forcado de pegas rijas e de toiros difíceis é recordado por todos pelo seu forte carácter e espírito de Grupo!

"Castro Marim, 14 de Agosto de 2007

Numa noite fria para a época do Ano em que estamos, assistimos a uma corrida agradável que inevitavelmente fica marcada pela trágica e aparatosa morte, em praça, de um dos cavalos da quadra de João Moura Caetano. No que respeita à corrida, o cartel era composto pelos Cavaleiros, Rui Fernandes, João Moura Caetano e a Cavaleira Praticante Isabel Ramos, os Toiros pertenciam à Ganadaria de D. Luis Passanha e o Novilho à Ganadaria de Herdeiros Brito Paes, de salientar a boa apresentação e bravura dos mesmos. Para as pegas tínhamos o Nosso Grupo e o Grupo de Forcados Amadores de Cascais.
O 1.º toiro da noite foi lidado pelo cavaleiro Rui Fernandes, cumpriu sempre na lide, mostrando muita disponibilidade mas alguma falta de força quando se empregava mais, para a cara deste foi o Nuno Lobo, esteve bonito no cite mas julgo que algo apressado, do local onde me encontrava não consigo ter total percepção do momento da reunião, fiquei com a ideia que aguentou pouco o toiro o que motivou que se encornalasse, no entanto fechou-se muito bem. Gostei muito de ver o grupo a fechar a pega com bastante entrega e sem precipitações, em especial a 1.ª ajuda, do Zé “Carraço” (José Maria Menéres). Fica-me também na memória a insatisfação do Nuno Lobo por a pega não ter corrido como ele queria, o que demonstra que quer melhorar, bom indicador!!!
A seguir calhou-nos o novilho lidado pela cavaleira praticante Isabel Ramos, sem nunca se parar e com bravura cumpriu sempre, mostrando melhores indicadores no capote que no cavalo. Para a cara foi o “Pulga” (Vasco Fernandes), muito bonito em praça, com muita calma, não conseguiu fazer melhor porque o novilho arrancou-se assim que o viu e mete-lhe mal a cara, tirando-lha de seguida, o que inviabilizou a pega nesta tentativa sem qualquer responsabilidade para o Vasco uma vez que sai fechado do novilho, principalmente por este ser ligeiramente cabano e ter pouco “pau”. Na 2.ª tentativa consegue receber bem o novilho e fechou muito bem tapando-lhe toda a cara, o grupo nesta pega já demonstrou alguma precipitação, sem que tenham estado mal. Duas notas, uma para o “Pente” (Miguel Cabral) não queiras rodar tanto porque corres o risco de não conseguir ajudar, outra para o “Pulga”, não se pode deixar o cavaleiro sozinho no meio da arena para ir apanhar o que quer que seja, ainda para mais sendo uma Senhorita (são pormenores a corrigir com o tempo mas que importa não esquecer).

O Nosso último toiro era o nosso toiro mais sério, foi lidado pelo cavaleiro João Moura Caetano, bastante emocionado pelo ocorrido com o seu cavalo na lide anterior, mas com grande entrega e vontade de triunfar. O toiro teve bons pormenores, no entanto achei que se foi modificando ao longo da lide, parando-se ligeiramente para depois ter algumas arrancadas pela certa, o João optou por não arriscar e escolheu para a cara o “Padinha” (António Alfacinha), andou bem em praça, bonito a citar e a mandar no toiro, faltando-lhe apenas ter consentido mais o toiro no momento da reunião, fiquei também com a ideia que pára de recuar a meio da viagem, não conseguindo evitar um violento derrote que impossibilitou que se fechasse. Na segunda tentativa já corrigiu e recebe melhor o toiro, muito bem todo o grupo a ajudar, sem agarrões e todos a funcionarem, eu vou salientar 2 elementos que me surpreenderam pela positiva, especialmente porque foi a vez que os vi melhor, é o caso da 1.ª ajuda do Guerra e a 2.ª o “Stefanel” (Manuel Sousa Dias).

Não aprofundo o resto da corrida porque não nos dizia directamente respeito, mas posso dizer que tanto cavaleiros como forcados estiveram à altura e resolveram todas as situações que tiveram pela frente.
Para terminar gostava de dar os parabéns ao Nosso Grupo pela temporada que tem vindo a fazer e desejar a maior sorte para o que ainda está para vir. Temos rapaziada nova com vontade, entrega e a interiorizarem o espírito do Grupo para que exista sempre continuidade.
Pelo Grupo de Évora, Venha vinho!
Fernando Luis Ornelas Vasconcelos"

segunda-feira, agosto 13, 2007

Góis - 12 de Agosto

Nesta digressão a terras Beirãs, fez o comentário o elemento mais velho do Grupo que não se fardou, visto estarmos "por nossa conta" sem acompanhantes nem convidados... O Bernardo é também um elemento preponderante na vida do nosso Grupo, e um forcado de Dinastia com muitas provas dadas, muito saber e autoridade para comentar tudo o que com Tauromaquia se relacione...

"Corrida de Góis 12/13 de Agosto
Estamos em Agosto, mês por excelência de festas e romarias e mais uma vez, à semelhança de anos anteriores tivemos a nossa pequena digressão pelos caminhos de Portugal. Desta vez o destino ditou-nos Góis, pequena localidade rodeada pela bonita Serra da Lousã, bem no centro do País. Vila bonita, recheada de história e paisagens de cortar a respiração, fazendo lembrar um pouco os Cantões Suíços em pleno Verão, podendo assim ser considerada uma digressão do GFAE à Suíça, lembrando outros tempos e citando Pedro Oliveira, o Rei. Fardámo-nos nos Bombeiros Voluntários de Góis, o que se revelou providencial, como mais adiante explicarei melhor. Tivemos o prazer de nos fazermos acompanhar pelo Armando Raimundo, forcado retirado, que nos acompanha sempre que pode nestas pequenas incurssões ao interior do nosso Portugal das Toiradas, tivemos também a companhia do Rui Sequeira, o grande Mata, que, apesar de evitar por completo as praças desmontáveis, acompanhou-nos neste passeio. Realço ainda a presença do nosso único acompanhante não forcado, o pai do Luís Engeitado, é de louvar uma pessoa que nos acompanha para "o sitío onde o Inverno passa o Verão", pois a temperatura era invernil e o pingo estava sempre presente na ponta dos narizes, muita humidade....
Para a corrida anunciavam-se os cavaleiros Vitor Gonçalves, Carlos Alves e Joana Andrade, grupos de forcados amadores de Évora e Portalegre, perante toiros de Higino Soveral.
Corrida fria, sem qualquer tipo de ambiente, sem qualquer aliciante e com apenas 200 pessoas a assistirem à mesma.Os cavaleiros, sentiram enormes dificuldades perante um curro desigual de pesos mais igual de comportamentos, perigosos, mansos, violentos, sem marrar, toiros a evitar!
Perante este panorama e dado o enquadramento do espectáculo a que se assistia, adivinhavam-se dificuldades para pegar os toiros. Para o primeiro, um toiro grande de mais para a praça, muito manso, sem investida, o João Pedro escolheu o Gonçalo Pires, forcado jovem mas com grande sentido de reponsabilidade e discernimento para este tipo de situações, não se deram vantagens ao toiro e o Gonçalo fez uma pega boa, superiormente ajudado pelo Rui Sequeira nas primeiras, realçando também a entrada do José Maria Meneres nas segundas. Primeiro problema resolvido.
O segundo toiro, mais pequeno foi cumpridor, para este foi escolhido o Vasco Fernandes, forcado muito jovem mas com muita raça e merecedor deste toiro por aquilo que demonstrou em Albufeira, pena não ter sido numa praça mais agradável, mas continuando assim, rapidamente aparecerão essas praças no seu horizonte. O Vasco citou com muita elegância, de largo, fazendo o toiro sair com prontidão, no momento da reunião o toiro procurou o Vasco e ele esteve perfeito em colocá-lo com a voz, reunindo muito bem, foi também muito bem ajudado pelo Zé Meneres nas primeiras e pelo Miguel Saturnino nas segundas. Todo o grupo esteve muito bem a ajudar.
Terceiro toiro, segundo problema, um toiro ainda mais manso que o primeiro, nem marrava, a solução foi um cernelha perigosa, sem cabrestos mas brilhantemente executada pelo Diogo Cabral e pelo rabejador do Grupo de Portalegre. Realço o sangue frio de ambos e o voluntarismo dos mesmos, toiros assim dão de facto um amargo de boca a qualquer forcado. Saliento a prestação do nosso Francisco Alves, bastante mais calmo e trabalhando mais com os braços do que com a cabeça, as coisas resultaram com vistosidade.
O Grupo de Portalegre realizou as suas duas pegas ao primeiro intento, também com o intuito de resolver os problemas que os toiros apresentavam, estiveram bem.
Voltámos rapidamente ao nosso Quartel de Bombeiros para a desfardação e, como referi mais acima, ainda bem que lá estávamos pois o carro do Armando avariou-se, não abria e tinha toda a bagagem dentro, a solução foi a experiência de uma jovem bombeira que com o auxílio de um desencarcerador partiu o vidro do carro para podermos ter acesso ao seu interior...quarto problema!..também resolvido!
Seguimos viagem para a Figueira da Foz, onde tinhamos uma mesa à nossa espera no restaurante Caçarola, restaurante oficial do Grupo quando andamos no centro de Portugal, grande jantar. Destes dois dias aquilo que de positivo destaco foi a coesão do grupo na resolução dos problemas dos toiros, o jantar e convívio na Figueira da Foz e a união que cada vez mais se sente no GFAE, assim a palavra amizade não é apenas mais uma palavra do dicionário, é uma palavra carregada de significado.
Um abraço, Bernardo Salgueiro Patinhas "

Pegar e ver pegar toiros tem grande diferença

Neste último 11 de Agosto o nosso Grupo fez 44 anos e está a decorrer a 45ª. época.
A tradição portuguesa dos grupos de forcados contarem a sua antiguidade está relacionada pelos anos consecutivos de actuações de cada grupo. Ou por outra: Tem estado, apesar de ultimamente se comemorarem idades de grupos que estiveram parados.
Contudo, não é exactamente igual um grupo pegar ou ver pegar toiros. Quando alguns grupos consideram no seu historial os anos que estiveram parados e anos de actuações de outros grupos da mesma terra, algo confunde e muito o público.
Em tempos houve em Évora outros grupos de forcados. Uns profissionais e outros amadores.
O actual Grupo de Forcados Amadores de Évora iniciou-se em 11 de Agosto de 1963, comandado por João Nunes Patinhas e nada tem a ver com outros com o mesmo nome, como por exemplo um de 1914 (cabo António Loupa); o de 1941 (cabo António Vaz Freire); o de 1947 (cabo Fernando Vilalva) ou o de 1948 (cabo Augusto Cabeça Ramos).
Todos os que passaram pelo actual Grupo de Forcados Amadores de Évora, começando pelos seus três cabos, João Nunes Patinhas, João Pedro Oliveira e João Pedro Rosado, têm esse conceito: o grupo tem 44 anos e está na 45ª. época.
Os grupos anteriores de Évora, que dignificaram também a cidade e a tauromaquia portuguesa, tiveram as suas épocas mas não conseguiram o mais difícil num grupo de forcados amador: a sua continuidade.
Com excepção dos Amadores de Santarém, Amadores de Montemor e Amadores de Lisboa, todos os restantes saem à esquerda doa Amadores de Évora, por muitas e elaboradas contas de antiguidades que andem a fazer.

Por todos os que envergaram a jaqueta do Grupo de Forcados Amadores de Évora

VENHA VINHO !

Manuel Peralta Godinho e Cunha
Agosto de 2007

Beja - 10 de Agosto

Para comentar a esta corrida, escolhemos um filho do Baixo Alentejo. Ele é para nós uma referência no interior do Grupo como modelo de conduta, humildade e de "Espírito GFAE". Sendo também (para além de todas as suas qualidades Humanas), uma referência da Forcadagem actual, a quem o infortúnio bateu à porta...

"Nesta tradicional corrida do 10 de Agosto em Beja o Manuel Silveira pediu-me que fizesse a crónica da corrida e eu infelizmente aceitei.
Digo infelizmente porque normalmente quem faz as crónicas é quem está a assistir como espectador, situação a qual me custa bastante, ver todos lá em baixo divertindo-se a pegar toiros e eu não poder contribuir para esses momentos únicos que só nós que cá andamos sabemos dar valor.
Bem mas falando da corrida, calhou-nos neste concurso de ganadarias Alentejanas os toiros mais pesados da corrida, o nosso 1º da ganadaria Condessa de Sobral com 560kg, um toiro sério com apresentação, saiu bem mas com decorrer da lide denotou-se um pouco manso e com sentido mas nada que Ricardo Casas Novas ( Bimbo) forcado que atravessa momentos de muito boa forma não resolvesse com galhardia. O toiro saiu-se solto o Ricardo não conseguiu uma boa reunião mas agarrou-se com vontade e o grupo coeso a ajudar resolveram sem problemas.

O nosso 2º um toiro da ganadaria Luís Rocha com 520 kg um toiro que na lide foi a menos e não transmitia, toiro bastante acessível para José Pereira esse Forcado de grandes pegas que por vezes as coisas não resultam, e infelizmente aqui em Beja perto de sua casa e dos seus amigos não resultaram. O Zé não conseguiu fazer aquilo que fez em Lisboa que foi mandar no toiro e isso dificulta mais a execução perfeita da pega, tendo assim uma reunião de grande impacto a qual o deixou lesionado, mas o Zé com todo o seu valor não queria que o seu oponente levasse a melhor fazendo mais duas tentativas, já debilitado fisicamente mas de cabeça erguida e com vontade de lá ficar. Na sua ultima talvez não o tenha conseguido por falta de uma mãozinha dos ajudas e do rabejador.
Sendo assim dobrado por António Alfacinha a 1ª a resolver sem complicar com ajuda carregada de Vasco costa.
Foi mais um 10 de Agosto em Beja que fica marcado com a lesão do Zé Pereira, mas com certeza que quando recuperar vai vir com muito mais "ganas" de fazer grandes pegas como nos tem habituado.
Desejo-te rápidas melhoras.

pelo Grupo d'Évora.Venha Vinho.....

Saudações taurinas

Francisco Pulido Garcia"

sexta-feira, agosto 10, 2007

Terrugem - 3 de Agosto

Dia 3 de Agosto, ainda envolvidos na aura do triunfo da noite anterior no Campo Pequeno, deslocámo-nos à simpática vila da Terrugem que tão bem nos acolhe sempre que por lá passamos. Enfrentávamos um curro de Nuno Casquinha, ganadaria com fama de colocar geralmente dificuldades para a pega. Reinava pois um misto de alegria e expectativa no seio do Grupo.
Os toiros acabaram por saír no cômputo geral bem, e o nosso Cabo enviou para a cara do 1º Toiro o António Moura Dias que pegou à segunda, estando irrepreensível nas 2 tentativas que fez, na primeira um pouco de azar nas ajudas.
Para o nosso 3º o João mandou o Francisco Abreu, forcado da zona, que se tem notabilizado nas ajudas, e que é um ajuda de valor, mas que em ocasiões como esta gosta de pegar. Esteve desacertado na 1ª tentativa, consumou à segunda sem problemas.
Como já repararam, deixei para último o nosso 2º Toiro, e fi-lo propositadamente para falar de um enorme amigo e grande senhor do Grupo de Évora e da Tauromaquia. Para este toiro o João enviou o Manuel Rovisco, forcado consagrado de pegas duras e emblemáticas, que perto de casa, perto dos seus, tinha oportunidade de levar um “rebuçado” e com um toiro à medida luzir-se entre paisanos. Mas a festa e os toiros por vezes são ingratos, bem como a vida, e nesse toiro que não teve problemas e que ele garbosamente pegou “sem espinhas” à primeira tentativa, o azar acabou por bater à sua porta e fracturou a tíbia e o peróneo. Pois é, o Manel que tantos toiros “fieros” já enfrentou e que tantos “diabos” já superou descalçando inúmeras “botas” ao nosso Grupo, acabou por caír quando e como ninguém esperava. Mas caíu de pé, como só os grandes fazem...
Pegou o seu toiro à primeira e saíu de maca. Aqui mais uma lição de pundonor e maestria ele nos deixou a todos, sempre com um sorriso na cara, e até levantando-se da maca para agradecer ao público que o aplaudia... Que emoção Manel, não me irei esquecer...
Como diz o nosso Cabo, na festa os grandes professores são os toiros, e na Terrugem, todos nós tivemos uma lição de humildade e de que qualquer toiro nos pode ferir seriamente. De que o ânimo e a importância tem de ser dada por igual a qualquer toiro, senão corremos riscos sérios. Não que o Manel tenha ido de ânimo leve, pelo contrário, ele estava empenhadíssimo na sorte, mas um toiro, como fera é imprevisível, e a linha que separa a sorte grande do azar fatal é muito ténue, e por vezes esses dois extremos confundem-se .
Agora Manel és tu quem tem de pegar o “toiro” da lesão, mas conta como sempre com o nosso apoio, o apoio destes teus amigos, pois muito em breve sei que estarás junto de nós para fazer o que mais gostas, o que melhor sabes, e o que nos enche de orgulho ver-te fazer com a nossa jaqueta vestida, Pegar Toiros.
A ti te desejamos sorte e muita força, e como tu mesmo dizes em tom de brincadeira, agora digo-to eu de forma bem séria:
Um grande Bem-Haja por andares na Festa Manel!!!

Manuel Silveira