segunda-feira, agosto 13, 2007

Beja - 10 de Agosto

Para comentar a esta corrida, escolhemos um filho do Baixo Alentejo. Ele é para nós uma referência no interior do Grupo como modelo de conduta, humildade e de "Espírito GFAE". Sendo também (para além de todas as suas qualidades Humanas), uma referência da Forcadagem actual, a quem o infortúnio bateu à porta...

"Nesta tradicional corrida do 10 de Agosto em Beja o Manuel Silveira pediu-me que fizesse a crónica da corrida e eu infelizmente aceitei.
Digo infelizmente porque normalmente quem faz as crónicas é quem está a assistir como espectador, situação a qual me custa bastante, ver todos lá em baixo divertindo-se a pegar toiros e eu não poder contribuir para esses momentos únicos que só nós que cá andamos sabemos dar valor.
Bem mas falando da corrida, calhou-nos neste concurso de ganadarias Alentejanas os toiros mais pesados da corrida, o nosso 1º da ganadaria Condessa de Sobral com 560kg, um toiro sério com apresentação, saiu bem mas com decorrer da lide denotou-se um pouco manso e com sentido mas nada que Ricardo Casas Novas ( Bimbo) forcado que atravessa momentos de muito boa forma não resolvesse com galhardia. O toiro saiu-se solto o Ricardo não conseguiu uma boa reunião mas agarrou-se com vontade e o grupo coeso a ajudar resolveram sem problemas.

O nosso 2º um toiro da ganadaria Luís Rocha com 520 kg um toiro que na lide foi a menos e não transmitia, toiro bastante acessível para José Pereira esse Forcado de grandes pegas que por vezes as coisas não resultam, e infelizmente aqui em Beja perto de sua casa e dos seus amigos não resultaram. O Zé não conseguiu fazer aquilo que fez em Lisboa que foi mandar no toiro e isso dificulta mais a execução perfeita da pega, tendo assim uma reunião de grande impacto a qual o deixou lesionado, mas o Zé com todo o seu valor não queria que o seu oponente levasse a melhor fazendo mais duas tentativas, já debilitado fisicamente mas de cabeça erguida e com vontade de lá ficar. Na sua ultima talvez não o tenha conseguido por falta de uma mãozinha dos ajudas e do rabejador.
Sendo assim dobrado por António Alfacinha a 1ª a resolver sem complicar com ajuda carregada de Vasco costa.
Foi mais um 10 de Agosto em Beja que fica marcado com a lesão do Zé Pereira, mas com certeza que quando recuperar vai vir com muito mais "ganas" de fazer grandes pegas como nos tem habituado.
Desejo-te rápidas melhoras.

pelo Grupo d'Évora.Venha Vinho.....

Saudações taurinas

Francisco Pulido Garcia"

sexta-feira, agosto 10, 2007

Terrugem - 3 de Agosto

Dia 3 de Agosto, ainda envolvidos na aura do triunfo da noite anterior no Campo Pequeno, deslocámo-nos à simpática vila da Terrugem que tão bem nos acolhe sempre que por lá passamos. Enfrentávamos um curro de Nuno Casquinha, ganadaria com fama de colocar geralmente dificuldades para a pega. Reinava pois um misto de alegria e expectativa no seio do Grupo.
Os toiros acabaram por saír no cômputo geral bem, e o nosso Cabo enviou para a cara do 1º Toiro o António Moura Dias que pegou à segunda, estando irrepreensível nas 2 tentativas que fez, na primeira um pouco de azar nas ajudas.
Para o nosso 3º o João mandou o Francisco Abreu, forcado da zona, que se tem notabilizado nas ajudas, e que é um ajuda de valor, mas que em ocasiões como esta gosta de pegar. Esteve desacertado na 1ª tentativa, consumou à segunda sem problemas.
Como já repararam, deixei para último o nosso 2º Toiro, e fi-lo propositadamente para falar de um enorme amigo e grande senhor do Grupo de Évora e da Tauromaquia. Para este toiro o João enviou o Manuel Rovisco, forcado consagrado de pegas duras e emblemáticas, que perto de casa, perto dos seus, tinha oportunidade de levar um “rebuçado” e com um toiro à medida luzir-se entre paisanos. Mas a festa e os toiros por vezes são ingratos, bem como a vida, e nesse toiro que não teve problemas e que ele garbosamente pegou “sem espinhas” à primeira tentativa, o azar acabou por bater à sua porta e fracturou a tíbia e o peróneo. Pois é, o Manel que tantos toiros “fieros” já enfrentou e que tantos “diabos” já superou descalçando inúmeras “botas” ao nosso Grupo, acabou por caír quando e como ninguém esperava. Mas caíu de pé, como só os grandes fazem...
Pegou o seu toiro à primeira e saíu de maca. Aqui mais uma lição de pundonor e maestria ele nos deixou a todos, sempre com um sorriso na cara, e até levantando-se da maca para agradecer ao público que o aplaudia... Que emoção Manel, não me irei esquecer...
Como diz o nosso Cabo, na festa os grandes professores são os toiros, e na Terrugem, todos nós tivemos uma lição de humildade e de que qualquer toiro nos pode ferir seriamente. De que o ânimo e a importância tem de ser dada por igual a qualquer toiro, senão corremos riscos sérios. Não que o Manel tenha ido de ânimo leve, pelo contrário, ele estava empenhadíssimo na sorte, mas um toiro, como fera é imprevisível, e a linha que separa a sorte grande do azar fatal é muito ténue, e por vezes esses dois extremos confundem-se .
Agora Manel és tu quem tem de pegar o “toiro” da lesão, mas conta como sempre com o nosso apoio, o apoio destes teus amigos, pois muito em breve sei que estarás junto de nós para fazer o que mais gostas, o que melhor sabes, e o que nos enche de orgulho ver-te fazer com a nossa jaqueta vestida, Pegar Toiros.
A ti te desejamos sorte e muita força, e como tu mesmo dizes em tom de brincadeira, agora digo-to eu de forma bem séria:
Um grande Bem-Haja por andares na Festa Manel!!!

Manuel Silveira

terça-feira, agosto 07, 2007

Campo Pequeno - 2 de Agosto

Para esta corrida em Lisboa no Campo Pequeno, escolhemos um antigo forcado, natural de Lisboa e que desde o dia em que pela primeira vez acompanhou o Grupo tem prestado provas da sua amizade, dedicação e entrega ao G.F.A.É. Aqui cresceu, aqui se fez homem e até aqui se acabaria por casar, eis o exemplo de um percurso de vida em torno de um Grupo, do nosso Grupo.

"Foi uma grande e agradável surpresa, o convite que me foi feito, por parte do Manuel Silveira, para redigir a crónica da Corrida do Campo Pequeno (02/08/07).
De facto não estava nada à espera de ser o escolhido, para esta tarefa de tanta responsabilidade, nesta praça, mas é uma honra e um prazer poder fazer uma crónica, de uma corrida do meu Grupo. Desde já os meus mais sinceros agradecimentos ao GFA Évora e em especial ao Manuel Silveira.
Antes de mais, queria apenas relembrar que não sou nenhum crítico tauromáquico, nem cronista. Apenas vou relatar os factos da Corrida, da forma como eu, um antigo elemento do Grupo e Vosso amigo, vi a Corrida.

Lisboa, 2 de Agosto de 2007
Praça de Toiros: Campo Pequeno
Cavaleiros: Sónia Matias
Ana Batista
M. Ribeiro Telles Bastos
Manuel Lupi

Grupos de Forcados: Grupo de Forcados Amadores de Évora
Real Grupo de Forcados Amadores de Moura

Ganadaria: Sommer D’Andrade

A ganadaria, Sommer D’Andrade, enviou um curro bem apresentado e com pesos entre os 500 e 550kg.

O primeiro toiro foi lidado a duo pelas duas Cavaleiras Sónia Matias e Ana Batista. Foi uma lide muito pouco conseguida por parte das duas jovens Cavaleiras.
O segundo toiro foi lidado por o Cavaleiro Manuel Lupi. Uma lide boa, muito positiva. Devido ao êxito da lide, explorou demasiado o toiro e este já veio a “menos” para o forcado.
O terceiro toiro, lidado por o Cavaleiro M. Telles Bastos. Mais uma lide boa com qualidade e muito positiva com o bonito e eficaz cavalo árabe, ferro Coudelaria Nacional.
O quarto toiro foi lidado pela Cavaleira Sónia Matias, mas esta não foi uma noite de êxito e triunfo para a Sónia Matias.
O quinto toiro foi lidado pela Cavaleira Ana Batista, que esteve melhor face à sua primeira lide.
O sexto toiro foi lidado a duo, pelos Cavaleiros M. Telles Bastos e Manuel Lupi. Mais uma vez estes dois Jovens Cavaleiros demonstraram toda a sua qualidade e mesmo a duo foi uma lide muito conseguida.

Quanto às pegas foi da seguinte forma que as vi:

GFA Évora

Toiro: Urracan, 533kg

Cara: Bernardo Patinhas
1ª Ajuda: Diogo Cabral
2ª Ajuda: Francisco Abreu
Guilherme Oliveira
Rabejador: Francisco Alves
3ª Ajuda: Rui Sequeira
Guerra
Nuno Lobo

O experiente Bernardo Patinhas abriu praça. Como sempre, muito elegante e toureiro soube citar e mandar no toiro com um momento de reunião difícil, porque o toiro arrancou bem mas perdeu-se um pouco a meio. Só a experiência do Bernardo, que lhe foi falando, permitiu uma reunião aparentemente fácil, consumando a pega à primeira tentativa. Muito bem, o grupo a ajudar. Foi pena não ter sido uma noite de êxito para o Francisco Alves, que não esteve bem a rabujar este toiro. Mas estamos sempre a aprender com os nossos erros. É importante ter a humildade de os aceitar, levantar a cabeça e batalhar para ter a oportunidade de corrigir esses erros.


Toiro: Impostor, 508kg

Cara: Gonçalo Pires
1ª Ajuda: Miguel Cabral
2ª Ajuda: Francisco Abreu
Guilherme Oliveira
Rabejador: Manuel Rovisco
3ª Ajuda: Vasco Costa
Diogo Cabral
Gonçalo Pimentel
O Gonçalo esteve muito bem. Não teve hipótese de mandar no toiro pois o toiro já estava muito desgastado fisicamente e já só caminhava junto às tábuas. Quando investiu, pareceu uma investida como que em fuga. O Gonçalo reuniu bem com o toiro e ainda aguentou alguns derrotes, consumando a pega à primeira tentativa. O restante grupo esteve bem a ajudar.

Toiro: Flamenco, 526kg

Cara: José Pereira
1ª Ajuda: Diogo Cabral
2ª Ajuda: Francisco Abreu
Guilherme Oliveira
Rabejador: Manuel Rovisco
3ª Ajuda: Miguel Cabral
Gonçalo Pimentel
Guerra

Gostei muito de ver o Zé, muito bem em praça, muito bem a citar e a mandar no toiro com garra e a saber perfeitamente o que estava a fazer e o que tinha de fazer. Um muito bom momento de reunião e depois a fechar-se também muito bem à primeira tentativa. Mais uma vez o grupo esteve muito bem e coeso nas ajudas.


Real GFA Moura
O Grupo de Moura concretizou as pegas da seguinte forma: primeiro toiro à 2ª tentativa, o segundo à 1ª e o terceiro à 2ª.
As rápidas e sinceras melhoras para um ajuda que saiu um pouco combalido.
Para finalizar e em modo de conclusão, queria felicitar o GFA Évora pelo êxito enorme que alcançou no Campo Pequeno e pelo excelente momento de forma que atravessa.
Que as boas actuações e êxitos continuem por todas as praças de toiros do País.
Um forte abraço para todos os actuais elementos do Grupo e também antigos elementos.
Pelo Grupo de Évora…venha vinho.

Francisco Duarte"

quinta-feira, agosto 02, 2007

Alcáçovas 28/7/2007

Para a crónica desta corrida foi escolhido um filho da terra, antigo forcado do nosso Grupo de grande gabarito e galhardia, irmão do actual Cabo e recém casado.

"A pedido do Manel Silveira (Ouriço) calhou-me a mim a tarefa árdua de redigir a crónica da corrida das Alcáçovas, corrida essa que representa muito para mim e para toda a minha família pois é a nossa terra, fardamo-nos no monte e há sempre festarola, desde já endereço agradeço o convite que aceitei com muito apreço.
Passado um ano de interregno o GFAE voltou a uma praça e a uma terra que muitas recordações traz ao grupo. Não sei precisar mas as Alcáçovas já fazem parte do calendário taurino do GFAE à cerca de 15 anos. Ali se iniciaram muitos forcados, pegaram-se pela primeira vez alguns toiros (o meu caso é um desses dia 27 de Julho de 1996).
Esta corrida é também sobejamente conhecida pelas “Festas” no Monte da Courela, festas essas que muitas vezes duraram até à garraiada do dia seguinte e de onde saíram estórias inesquecíveis. Os meus pais sempre adoraram a presença do nosso grupo na Courela, daí nos proporcionarem sempre jantares divertidíssimos, onde acabávamos por ficar até de manhã na alpendorada a “pegar toiros”.
Este ano mais uma vez voltámos a jantar no monte apesar dos meu pais estarem ausentes penso que tudo correu pelo melhor e que a voltámos a ter festa da grande, até porque graças a Deus a corrida correu bem e mais importante ainda ninguém se aleijou.
Passando para a crónica da corrida propriamente dita, o cartel era composto pelos cavaleiros Luís Rouxinol, Francisco Núncio (a jogar em casa) e António Maria Brito Paes, Grupo de Forcados Amadores de Montemor e Évora para pegarem um curro de 6 Núncios.
Quanto aos cavaleiros a minha pouca cultura neste campo impede-me de fazer uma crónica mais aprofundada. A meu ver Luís Rouxinol foi que melhor se mostrou sendo também ele quem neste momento está melhor montado. Fez duas lides muito semelhantes entreteve o publico e não foi maçador na hora de cravar mais ferros.
Francisco Núncio teve uma actuação ao seu estilo. Mais sóbrio calhou-lhe também o pior lote de toiros (não sendo mau) mas a jogar em casa ainda ouviu bastantes palmas.
António Brito Paes, teve uma noite menos conseguida principalmente no seu segundo toiro.
Quanto às nossas pegas e isso é o que interessa.
Para o primeiro toiro o meu irmão escolheu o Ricardo Casas-Novas que com todo o seu saber realizou uma pega fácil onde fez tudo bem. Gostei muito de vê-lo pois atravessou um longo calvário por lesão e folgo em ver que continua com a mesma garra. Neste toiro evidenciou-se ainda um jovem, Miguel Saturnino com uma excelente primeira ajuda plena de querer e de sitio.
Para o segundo toiro foi escolhido o Nuno Lobo, vulgo Gafanhoto. Ele que agora está mais virado para outras “posições” não quer deixar morrer o bichinho de pegar um toiro de caras. Acho que é de louvar esta atitude até porque pegar um toiro volta e meia ajuda muito um ajuda a entender melhor os comportamentos de um toiro. Fez uma pega fácil à primeira demonstrando ao cabo que efectivamente pode ser mais uma boa opção para pegar de caras, e tornando-se cada vez um forcado mais completo, o toiro foi bem ajudado por todo o grupo que deu o “cabedal” ao manifesto.
O Nuno brindou a pega deste toiro à Marta e a mim, um gesto que nos sensibilizou muito. Ele que no nosso casamento estava tão eufórico que decidiu ficar para o segundo dia (mas com mazelas…).
O Faruk decidiu montar a barraquinha tradicional e foi agarrado ao sair do toiro a rabejar, no entanto o desprezo que ele tem pelos bois na hora da saída para mim é uma coisa linda.
Por fim perfilou-se o Jorge Vacas para pegar o ultimo toiro que me pareceu o menos esclarecido. O Jorge que já tinha passado a tarde a azucrinar a cabeça do meu irmão para pegar sempre levou a sua avante. Na primeira tentativa recebe mal o toiro sendo despejado logo no momento da reunião. Fecha a actuação à segunda (e meia) depois de o toiro ter feito um ameaço de arrancar mas no momento da reunião escorrega e volta para trás (o toiro não o forcado). O seu irmão Zé deu-lhe uma boa ajuda assim como o restante grupo.
O Grupo de Montemor pegou os seu toiros correctamente à 2ª , 1ª e 1ª por intermédio dos forcados Frederico Manzarra, Noel Cardozo e António Casimiro respectivamente.
Foi um boa maneira de fechar uma dura tripla de corridas. Com uma corrida confortável que deu para rodar elementos mais novos que acabaram por aproveitar a oportunidade.
Depois rumámos ao Monte da Courela onde nos esperava uma ceia animadíssima, com muitos discursos, e muita diversão. No outro dia ainda houve almoço.
Grande Abraço a todos e que me continuem a encher de orgulho de ter vestido a mesma jaqueta que vocês agora vestem e tão bem defendem.
Pelo Grupo de Évora Venha Vinho
António Rosado"

Entradas 27/7/2007

Cartel:
Toiros dos Herdºs de Cunhal Patrício

Luis Rouxinol
Tito Semedo
Vitor Ribeiro

GFA Évora
GFA Cascais

Pegaram pelo nosso Grupo o João Pedro Oliveira (3ª), o António Moura Dias e o António Alfacinha. Crónica em breve...